08/11/2019

Iluminação Natural

Iluminação Natural


Curso de iluminação 2016 – modulo 1 HISTÓRIA DA ILUMINAÇÃO – aula 1.1ILUMINAÇÃO NATURAL e a profunda relação com o homem
Em Gênesis para os cristãos tem se o início de tudo: “Faça-se a luz, e a luz se fez.”
A nossa luz natural é fornecida pela estrela Sol. Em linhas gerais, trata-se de uma fusão nuclear constante com dimensões equivalente a 100 vezes ao tamanho do planeta Terra. Juntamente com a radiação luminosa, tem-se os raios UV (ulta-violeta), IR (infra-vermelho), Raio-X, Raio Gama entre outros. Devido a gases que funcionam como filtros, o magnetismo próprio da terra e sua localização no sistema, é possível se conseguir condições que possibilitam a existência da vida que conhecemos e a água em estado líquido. Contudo não se pode conceber a luz como um simples fenômeno físico resumido a um cálculo luminotécnico rápido. Se trata de algo vital ao para nosso planeta e ainda há muitos aspectos sobre ela a se estudar!
A luz é um espectro eletromagnético que vai de 400 a 700 nanômetro de comprimento de onda. Porém isso significa apenas a faixa que o ser humano pode ver. A ideia e pararmos de pensar que somos o centro do universo, perceber a grandeza do fenômeno que é a luz natural. E logo vamos concluir que a luz artificial não pode suprir 100% das nossas necessidades, e que a luz não serve apenas para que possamos enxergar e realizar tarefas, decorar, e algumas aplicações médicas. Partimos da ideia que estamos diante de um grande fenômeno maravilhoso do qual conhecemos apenas alguns aspectos.
Cones são as células do olho dos animais que têm a capacidade de reconhecer as cores, segundo a teoria tricromática (teoria de Young-Helmholtz). Já os bastonetes, outro tipo de célula dos olhos, têm a capacidade de reconhecer a luminosidade. Existem aproximadamente 6 milhões de cones em cada olho humano concentrados na região fóvea. Sendo estes os responsáveis pela percepção das cores, quando existe uma anomalia ou ausência de algum dos fotopigmentos nas terminações dos cones estamos na presença do daltonismo.
Ao longo de duas décadas, a neurocientista da Universidade de Newcastle, Gabriele Jordan, e colegas de pesquisa têm procurado pessoas que tem esta capacidade de super-visão. Dois anos atrás, Jordan finalmente encontrou uma – uma médica vivendo no norte da Inglaterra, conhecida somente como “cDa29” na literatura científica, é a primeira tetracromata conhecida da ciência. E certamente não será a última. A primeira pista para a existência de tetracromatas surgiu em um trabalho sobre alguns homens daltônicos, feito pelo cientista holandês H. L. de Vries, em 1948. De Vries resolveu testar também as filhas de um dos daltônicos e descobriu que elas podiam detectar uma gama maior de tons de vermelho que a média das pessoas. Isto levou à descoberta de que, quando daltônicos tinham dois cones normais e um cone mutante, a mãe e as filhas tinham um cone mutante e três cones normais, ou seja, quatro cones. Segue link da matéria no Hype Science do http://hypescience.com/cientista-encontra-mulher-...
As abelhas enxergam os raios ultravioletas, e desviam dele. Já reparou como é o padrão de voo delas, diferentes de outros insetos. Elas ficam paradas no ar e fazem manobras bruscas repentinas, justamente com o intuito de desviar desse comprimento específico de radiação. O raio ultravioleta tem um comprimento mais curtinho relacionando essa característica com a dimensão do inseto, podemos concluir que o resultado dessa radiação na abelha e completamente diferente do que a reação causada em seres humanos.
Porém novamente, essa é só a ponta do iceberg, veja esse documentário do History Channel e do que são capazes os humanos com super visão. https://www.youtube.com/watch?v=vC8auwhahGg
Para entendermos o terreno que estamos pisando, podemos utilizar o exemplo do MP3. As gravações de áudio no formato wave ou analógico (magnético ou vinil), faz o registro de todas as ondas sonoras captadas pelo microfone. Quando se coloca essa gravação no formato MP3, todas as frequências fora das faixas possíveis de se captar pelo ouvido humano, são eliminadas, buscando redução do tamanho do arquivo. Com o tempo se notou que havia diferença na qualidade do áudio wave para o MP3. Então estudos apontaram que ondas extremamente graves, impossíveis de captar pelo ouvido humano, podem produzir vibrações nos ossos humanos e isso criar um tipo de sensação.
Como é possível ver a luz porém não poder toca-lá? A sua presença é nítida, que não é nem necessário olhos para enxergar a luz, o girassol é um exemplo!
Janela deriva do latim, janua, que lembra Jãnus.
 

“Jãnus era a divindade das portas de passagem. Foi um dos principais deuses romanos, e dos mais antigos, chamado “Deus dos Deuses” no hino dos sálidos. Era o primeiro Deus a ser mencionado nas preces, e o primeiro a receber a porção do sacrifício” Luis Antônio Jorge (1995)
Podemos ver claramente o ritmo entre luz e sombra criado pelos pilares. Templo de Al Karnak, Egito, sec. XVI AC.
Inclinação inigmática da pirâmede de Gizé, são leves inclinações, possíveis de perceber somente em datas específicas do alinhamento solar.
Apropiação da luz natural e criação de efeitos de iluminação pontual e colorida. Convento de Sainte Marie de La Tourette – Lion – 1957-60 – Le Corbusier.
 

A “atmosfera” que a luz tem a capacidade de criar. Museu Britânico, Londres.
Uma arquitetura que tem a luz natural como partido. Museum of Wood, Mikata-gun, Hyogo, Japão 1993.
A janela venceu a parede, da qual um dia foi furo e negação. “A casa de alguém que more na cidade poderá ter muito vidro, mas não o tanto que cegue seu morador” (WRIGHT; FRANK; LIOYD, 1.950)
“A criação do espaço na Arquitetura é simplesmente a condensação e purificação do poder da luz”. “A luz exagerada do movimento moderno tem resultado na morte do espaço, a mesma morte que poderia causar a escuridão absoluta.” (ANDO; TADAO, 1.920)
No finais dos anos 90 os fabricantes italianos, particular ERCO e IGUZZINI começaram a desenvolver sistemas que reproduzem as variações naturais da luz natural, o que acontece por exemplo quando uma nuvem tapa o Sol e a mudança da temperatura de cor ao longo do dia. (KRUMHAUER; JULIA, 2006)
A iluminação natural é a fonte de luz mais antiga e até os dias de hoje é peça chave dos sistemas de iluminação mais desenvolvidos que temos. O refletor parabólico de altíssima reflexão que converge a luz natural a um feixe de fibra ótica, que pode alimentar luminárias de um prédio inteiro.
Mas não é nem necessário ir tão longe, fala-se falando de algo que faz parte de nossas vidas, algo extremamente simples e genial, como o sistema de iluminação de garrafa pet, ideia do mecânico de Uberaba Alfredo Moser, que conduz a luz para o interior.
Vidros de alta tecnologia que podem por meio de uma membrana eletrônica, regular a passagem da luz. Se a grande dificuldade da utilização da luz natural na arquitetura é o seu controle efetivo, o problema está resolvido. Esse mecanismo já existe, inclusive alguns carros de luxo já utilizam esse sistema no espelho retrovisor, que consegue fazer a regulagem automática no caso de o motorista atrás exceder no farol. Sabe-se que a tecnologia rapidamente é viabilizada e difundida, estamos entrando em um novo momento da arquitetura, novos materiais, novas possibilidades de fontes artificiais de luz, tudo isso vai demandar em pouco tempo, uma nova forma completamente diferente de se pensar arquitetura e a sua integração com a luz!