08/11/2019

Combustão

Iluminação a Combustão


Curso de iluminação 2016 – modulo 1 HISTÓRIA DA ILUMINAÇÃO – aula 2 ILUMINAÇÃO A COMBUSTÃO a descoberta e o domínio do fogo

Foram feitas as primeiras lâmpadas ainda na época das cavernas, para confecção eram usadas pedras com cavidade feitas de calcário retiradas das próprias cavernas.
O princípio de funcionamento daquelas lâmpadas a óleo consistia em encher um recipiente com óleo. No óleo deu-se a idéia de imergir uma mecha (que pode ser considerado um filamento rudimentar) de fibras vegetais (bambu, cânhamo, linho, lã, algodão). Na vela de parafina que temos em casa, o pavio está envolvido por uma camada de parafina. É a parafina que se inflama “prioritariamente”, com o pavio embutido. O calor da chama derrete a cera que embebe o pavio, o qual se queima com uma chama brilhante. A forma primitiva da vela ainda existe no interior do Brasil, onde uma torcida de algodão é embebida em cera de abelha silvestre: é o rolo, joão bobo ou morrão.
Muito antes do século XIX, o homem conseguiu ter suas noites iluminadas com lâmpadas da época. Sua sobrevivência aperfeiçoada pela agricultura, cujos grãos vegetais atraiam animais, muitos deles domesticados e úteis no transporte de cargas, no fornecimento de leite, carne e, ainda, na pele que serviria de vestimenta para proteger o homem das altas e baixas temperaturas, proporcionou mais tempo livre do que aquele dos ancestrais mais remotos que dependiam da caça. Os homens agricultores, em seu tempo livre, teriam oportunidade de exercer mais observações sobre os fenômenos da natureza, bem como para produzir ideias para novos formatos de lâmpadas, ideias sobre o funcionamento do mundo, e ideias que podem ter dado origem às religiões e às artes.
No período do Renascimento Italiano (século XVI), que tinha como referencia a Grecia Antiga, autores de peças teatrais e artistas tinham desenvolvido uma preocupação estética sobre a luz na ambientação das obras. O diretor teatral italiano, Leoni di Soni (1522), acreditava que a tragédia tinha mais impacto no espectador com uma iluminação diferente do que aquela que era empregada para a comédia. Entendia ainda que o palco possuía brilho ao ter mais luz em contraste com a escuridão da plateia. Com os recursos da época, os envolvidos com o Teatro avançavam com ideias para obter cada vez mais, efeitos visuais. Em 1539 San Gallo De Firenze conseguiu simular o sol se movimentando no céu utilizando-se de uma esfera de cristal repleta de água que era iluminada com velas posicionadas atrás. O aparato movia-se discretamente atrás de um tecido translúcido enquanto acontecia a peça teatral.

No século XVII, o aumento da pesca da baleia para fins industriais, impulsionou o emprego do óleo de baleia nas lâmpadas a óleo. Só com a descoberta do petróleo, no século XIX, o óleo de baleia seria substituído pelo querosene em quase todo mundo. O querosene, derivado do petróleo, apresentou-se como uma fonte de energia mais barata. Seu uso, sob pressão, iluminava um novo modelo de lâmpada que continha uma camisa de tório, onde se obtinha uma luz mais brilhante e intensa. Dos derivados do petróleo, outra fonte de energia também usada no século XIX era o gás que se demonstrou ideal para a iluminação publica. O design de algumas lâmpadas a gás possuía um sistema de válvula que permitia uma maior ou menor passagem de ar, resultando em maior ou menor iluminação. A chegada do gás ao Rio de Janeiro, em 1854, não substituiu de uma vez aquelas lâmpadas a óleo de baleia, muitas das quais eram usadas na iluminação publica da cidade. (TORMANN, 2006)
As lâmpadas, cada vez mais elaboradas, demonstravam uma mentalidade que atribuía um valor à luz (iluminação), não somente como auxiliar funcional para a vida prática e produtiva, mas também, como um símbolo em rituais e atividades artísticas.
No caso das artes, o Teatro, cujos primeiros registros dessa são do período da Grécia Antiga, tinha suas peças teatrais acontecendo a céu aberto, para se obter um tempo maior de iluminação, haja vista que as peças poderiam durar um dia inteiro. O Teatro era feitos em grandes espaços, construído em encostas, com madeira, e configurado no terreno de modo a receber a luz do sol por traz dos espectadores já que os espetáculos se iniciavam com o amanhecer, com cerca de quinze mil espectadores bebendo e comendo enquanto assistiam e comentavam o que estavam vendo. O sol cumprindo a função de “canhão seguidor”.

As lâmpadas de metal, feitas de ferro ou bronze surgem no século I e II, sendo as do império romano as mais nobres. Somente na Idade Média as lâmpadas ganharam um “design” mais versátil e de uso popular.
“As primeiras pesquisas feita com gás de carvão vegetal foram realizadas pelo cientista francês Philipe Lebon no século XVIII. O aparecimento dos lampiões à gás foi o mais importante passo na história da iluminação, antes da luz elétrica. Segundo a historiadora e engenheira Maria Amparo Pessoa (2001), isso se deve a dois fatores: primeiro porque a iluminação a gás foi precursora das redes de distribuição de energia elétrica; segundo porque foi além da função original de iluminação urbana, que era inicialmente voltada as questões de segurança pública. Tal fato causou uma grande reformulação urbana; pois a luz passou a ser de importância significativa, definindo e mudando paisagens, e mudança de hábitos, ao permitir a vida noturna, fosse para o trabalho ou lazer”. (ROIZENBLATT, 2009)
A introdução do gás na iluminação pública deu-se de modo gradual. Na década de 20 em São Paulo ele era conduzido por 20 quilômetros de encanamento.